domingo, 25 de outubro de 2020

Covid-19 na França: segunda onda é marcada por explosão de casos e menor severidade da doença

Número total de óbitos após 3 meses de período pandêmico difere pouco daquele registrado em 2019, todas as causas-mortes incluídas

Primeira noite do toque de recolher na avenida Champs-Elysées (Paris), em 17 de outubro. FOTO: LP/Arnaud Dumontier https://www.leparisien.fr/societe/couvre-feu-il-est-21-heures-paris-s-eteint-17-10-2020-8403730.php

Às vésperas de completar um ano desde o primeiro caso do novo coronavírus, diagnosticado em Wuhan (China), o mundo está próximo de registrar 43 milhões de infectados, com mais de 1,15 milhão de mortes.

Aqui na Europa, especialmente na França, mas também em outros países, após o arrefecimento estival da doença, o número de contágios tem aumentado progressivamente, confirmando a já prevista segunda onda da pandemia.

Nas últimas 24 horas, foram registrados mais de 45 mil casos na França, quase 35 mil na Espanha, quase 20 mil na Itália e mais de 20 mil no Reino Unido; esses quatro países juntos contam hoje com mais de 3,5 milhões de pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2. 

O elevado número de contaminados na França é também uma consequência do aumento expressivo da quantidade de testes, comparado ao período inicial da pandemia. Com a marca de 228 mil testes por milhão de habitantes (2,2 vezes mais que o Brasil), o país é o 5o com maior número de infectados.

A boa notícia é que a taxa de letalidade do vírus nas últimas semanas tem sido sensivelmente menor do que durante a primeira onda da pandemia, não só na França, mas em países vizinhos, como Itália e Espanha.

Na França, entre 1º de maio e 21 de setembro, o número total de mortes registrado no país (todas as causas incluídas) foi de 224.221, ou seja, 1% a mais que em 2019 e 2% superior a 2018. Os dados são do Institut National de la Statistique et des Études Économiques (Insee).

A evolução do número de óbitos diários desde o início da pandemia até 21 de setembro é mostrada no gráfico abaixo, juntamente com as curvas de 2019 e 2018.

Número de mortes por todas as causas na França, em 2020, 2019 e 2018. FONTE: Insee

Por outro lado, o professor Didier Raoult, diretor do Instituto Hospitalar-Universitário de Doenças Infecciosas (IUH Méditerranée-Infection) de Marselha, apresenta dados sobre a evolução semanal de mortos por Covid-19, entre a 16ª e a 35ª semana do período pandêmico na França (figura), que mostram uma redução consistente até a 32ª semana, voltando a subir com a chegada da 2ª onda no país.

Número de mortes associadas à Covid-19 na França. Os dados incluem mortos em hospitais, serviços médicos de urgência e lares de idosos.

Segundo Raoult, uma série de mutações do coronavírus pode explicar a redução da taxa de letalidade. “Das sete variações do vírus que circulam atualmente na França, nenhuma estava presente antes do mês de maio, (...) o vírus tem sofrido 10 vezes mais mutações do que no começo da pandemia, com prováveis degradações em seu genoma, o que pode explicar as diferenças de severidade de um vírus a outro”, afirma Raoult.

Ele destaca o papel dos corticoides e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, cada um com sua eficácia em determinado momento, e que ambos podem combater os efeitos autoimunes acarretados pela doença.

O Dr. Raoult reafirma sua posição favorável ao uso do polêmico medicamento, sempre associado a outras drogas, como a azitromicina, lembrando que “a metade do mundo recomenda o uso da hidroxicloroquina”, conforme o mapa que segue, apresentado pelo infectologista. 

Uso da hidroxicloroquina no mundo em suas variadas formas, com dados atualizados até 7 de setembro de 2020 (sujeito a correções).

Ele mostra o resultado de um estudo clínico realizado pela sua equipe, entre 24 de março e 2 de junho, envolvendo 1.690 residentes de 23 lares de idosos de Marselha, sendo 226 deles (13,4%) pacientes de Covid-19, com idade média de 83 anos e portadores das seguintes doenças crônicas: hipertensão arterial (40%), cardiopatia (30%) e insuficiência respiratória (12%).

Entre os contaminados por coronavírus, 118 (52,2%) foram tratados com hidroxicloroquina e azitromicina (HCQ+AZ) durante pelo menos três dias; 108 (47,8%) não. Do grupo que recebeu HCQ+AZ, 17 vieram a óbito; do outro grupo, 30.

A taxa de letalidade entre os que não receberam o tratamento (27,8%) foi praticamente a mesma registrada nacionalmente em lares de idosos e serviços médicos de urgência no mesmo período (24/3 a 02/6), de 27,7%, correspondente a 10.350 óbitos de doentes idosos de Covid-19.

Fontes: https://www.insee.fr/fr/statistiques/4487861?fbclid=IwAR1ysoNN4ccFl75Q1gMw-DsiRCsMxPVKiebhsHATdTCvpn90kUAQ0iugHS8

https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=WzvnHbTH0v8&feature=youtu.be&fbclid=IwAR09NmFbpBhN8zva0NbhvdmTis3w51bX5OLG_Y3hjJGPdX-pePe2kU8hQQo

https://www.youtube.com/watch?v=5LXdn9yeTxg&feature=youtu.be&fbclid=IwAR12ivwPAxc4TW4c-VLKHqpZvJEP57YaX-Xe-tTX0PSxz7PdRFl3jgnIT5Q

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