terça-feira, 25 de março de 2014

Secas, ondas de calor, inundações e ciclones tropicais de 2013 tem a ver com aquecimento global, diz OMM

Para agência meteorológica da ONU, fenômenos extremos do ano passado são ‘coerentes e interdependentes’ da mudança climática decorrente de atividade humana

Tufão Haiyan: fenômeno climático mais marcante de 2013
http://news.nationalgeographic.com/news/2013/13/131106-supertyphoon-haiyan-yolanda-philippines/

A pior onda de calor da história recente da Austrália, o tufão Haiyan que devastou um arquipélago nas Filipinas, fortes inundações na França... 

A correlação entre os inúmeros fenômenos extremos de 2013 e o aquecimento global mereceu destaque em um relatório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), divulgado ontem em Genebra.

A OMM ressalta “o impacto considerável das secas, ondas de calor, inundações e ciclones tropicais” e atribui a 2013 “o sexto lugar, junto com 2007, entre os anos mais quentes já registrados, confirmando a tendência ao aquecimento climático observada a longo prazo”. 

A agência meteorológica da ONU foi enfática ao afirmar que a grande quantidade de fenômenos extremos observados no ano passado são “indicadores coerentes e interdependentes” da evolução climática marcada pelo aquecimento global de origem antrópica. 

A temperatura média na superfície dos continentes e oceanos superou em 0,5 oC a “normal” calculada para o período 1961-1990. Dos 14 anos mais quentes registrados desde 1850, 13 deles ocorreram no século XXI, com recorde em 2010, seguido por 2005. 

O IPCC apontou em seu último relatório (2013) que o aquecimento climático médio do planeta foi de 0,8 oC, desde os primeiros registros de temperatura, no período pré-industrial. 

Enquanto o objetivo fixado por 195 países sob a égide da ONU foi de um aumento da temperatura global de 2 oC até o final do século, dependendo do cenário planetário, o avanço pode alcançar 4,8 oC. 

No ano passado, a área da superfície de gelo do Ártico atingiu um valor extremamente baixo. Não tanto quanto o mínimo absoluto verificado em 2012, mas foi a sexta menor área, desde o primeiro monitoramento feito por satélite, em 1979. 

Em março de 2013, o nível dos oceanos atingiu um recorde, seguindo um ritmo médio de elevação anual de 3,2 mm, conforme divulgou a OMM no final daquele ano. 

De 2001 a 2010, o nível das águas evoluiu a uma taxa semelhante (3 mm/ano), o que corresponde a praticamente o dobro da taxa observada ao longo do século XX.

Lembrando que a previsão do IPCC é de uma alta de 26 a 82 cm até 2100, o que poderia por em risco pequenos Estados insulares do Pacífico, mas afetar também metrópoles costeiras da Ásia e Américas. 

O evento climático extremo mais devastador ocorrido em 2013 foi o tufão Haiyan (foto), que deixou quase 8 mil mortos em um conjunto de ilhas na parte central das Filipinas. 

Os climatologistas não atribuem diretamente os ciclones tropicais às alterações climáticas, mas advertem que outros fenômenos intensos, como ondas de calor e chuvas fortes, devem ocorrer com maior frequência nas próximas décadas. 

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