domingo, 9 de agosto de 2026

Por que Deus teria criado um Universo tão grande?

Uma provocação de um Prêmio Nobel de Física sobre a imensidão do cosmos e o lugar que ocupamos nele

Representação da estrutura do Universo em grande escala: concentrações de matéria distribuídas ao longo de extensos filamentos, separados por enormes vazios cósmicos. IMAGEM: Volker Springel (Max Planck Institute for Astrophysics) et al./NASA

Richard Feynman, um dos grandes nomes da física moderna e Prêmio Nobel de Física de 1965, lançou, em uma entrevista concedida em 1959, uma provocação que permanece atual. Ao questionar a ideia de que o Universo teria sido criado em função da existência humana, recorreu a uma imagem que se tornaria célebre: “o palco é grande demais para o drama”.

Feynman era movido por uma profunda curiosidade sobre a natureza e não escondia seu ceticismo em relação à religião. Isso, porém, não o impedia de tratar com seriedade a questão do significado que atribuímos ao Universo. Ao refletir sobre o valor da ciência, chamou a atenção para um fato histórico: as grandes tradições religiosas nasceram quando o cosmos conhecido era incomparavelmente menor do que aquele revelado posteriormente pela astronomia.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Resfriamento passivo: da física da radiação solar ao planejamento das cidades

A partir do conceito de 'cidades brancas', um conjunto de estratégias orienta atualmente políticas de adaptação climática em diversas partes do mundo

Conversão de telhado em Nova York, via programa NYC CoolRoofs, usando tinta de alta refletância solar e emitância infravermelha. FOTO: Ben Huff/Untapped Cities

Durante grande parte do século XX, o desenvolvimento das cidades foi orientado principalmente pela expansão da infraestrutura, da mobilidade e da atividade econômica.

Somente nas últimas décadas ficou evidente que o ambiente urbano também exerce uma influência decisiva sobre o clima local. Materiais empregados em edifícios, ruas e calçadas absorvem grandes quantidades de radiação solar ao longo do dia e a devolvem lentamente para a atmosfera, intensificando o fenômeno conhecido como ilha de calor.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

O frio que vem do céu

Como um fenômeno físico conhecido desde a Antiguidade inspirou pesquisas brasileiras sobre climatização passiva

Fabricação de gelo de modo similar ao usado na antiga Pérsia: expondo ao céu noturno água em recipientes rasos. IMAGEM: https://youtu.be/SJ09pwzgAdI?is=o8FgWBqB1Nn2p68V

No artigo anterior sobre arquitetura vernacular, vimos que aquele conhecimento, acumulado ao longo de milênios, constitui um verdadeiro laboratório. Muito antes da eletricidade e do ar-condicionado, diferentes civilizações aprenderam a utilizar o Sol, o vento, a massa térmica das edificações e até o frio do céu noturno para prover conforto térmico.

Um dos exemplos mais fascinantes dessa inteligência construtiva encontra-se nas cidades históricas do Irã. Seus badgirs (torres de vento), yakhchals (casas de gelo), ab anbars (cisternas subterrâneas) e pátios internos voltam hoje a orientar arquitetos e engenheiros na busca por edificações de baixo carbono e mais resilientes às ondas de calor causadas pelo aquecimento global.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Armazenamento em nuvem: qual o custo ambiental dos data centers?

Grande parte da informação que circula na Internet depende de uma infraestrutura altamente energívora, que também consome milhões de litros de água para dissipar o calor de seus computadores

Vapor de água dissipado acima das torres de resfriamento no data center The Dalles, no Oregon (EUA). FOTO: Google

Desde a Revolução Industrial, cada grande etapa do desenvolvimento econômico esteve associada a uma infraestrutura energética dominante. No século XIX, o carvão alimentou as máquinas a vapor. No século XX, o petróleo impulsionou a economia globalizada.

No século XXI, a sociedade digital parece funcionar de forma quase imaterial, mas depende de uma nova infraestrutura física: gigantescos data centers que armazenam, processam e distribuem informações continuamente.