domingo, 2 de agosto de 2026

Arquitetura vernacular: o que o passado ensina para resfriar as cidades do futuro

Muito antes da eletricidade e do ar-condicionado, diferentes civilizações aproveitavam fenômenos naturais para prover conforto térmico em suas edificações

Edificação moderna baseada na arquitetura vernacular iraniana. FOTO: www.stirworld.com/see-features-green-mansion-is-a-modern-construction-reaffirming-iranian-vernacular-architecture

A história da arquitetura costuma ser contada por meio de grandes monumentos, palácios e templos religiosos. Mas existe uma outra história, menos conhecida e igualmente fascinante: a das construções erguidas por comunidades que, ao longo de séculos, aprenderam a adaptar suas moradias ao clima, ao relevo, aos materiais locais e às necessidades de seus habitantes. É dessa experiência coletiva que nasce a arquitetura vernacular.

Muito mais do que um conjunto de técnicas construtivas, ela resulta de um processo de experimentação que atravessou gerações de povos de diferentes regiões do planeta. Essas populações observaram o comportamento do Sol, dos ventos, das chuvas e das estações do ano para desenvolver habitações capazes de oferecer conforto utilizando apenas os recursos disponíveis na própria natureza.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Um milhão de visitas ao blog: o valor da permanência

Se os primeiros anos foram marcados pela divulgação científica, hoje O Frio que Vem do Sol busca construir uma visão integrada do conhecimento

Sistema de conversão solar de máquina de gelo autônoma desenvolvida pelo grupo de pesquisa coordenado pelo editor de O Frio que Vem do Sol. Projeto científico que deu origem ao nome do blog. FOTO (2005): Antonio Pralon

Ao atingir a marca de 1 milhão de visitas, é hora de fazer um breve balanço para as pessoas que, em algum momento, encontraram neste blog um espaço para adquirir novos conhecimentos ou simplesmente refletir.

Em tempos de redes sociais dominadas por conteúdos de consumo instantâneo, esse número talvez pareça modesto. Não é. Para um blog autoral de divulgação científica, mantido de forma independente ao longo de mais de dezesseis anos, representa a prova de que ainda existe espaço para textos que convidam à reflexão.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Mudança climática: microrganismos que emergem do Ártico, após milênios congelados, representam perigo?

À medida que o aquecimento global acelera o degelo do permafrost e expõe vírus e bactérias preservados durante milhares de anos, surge uma pergunta inevitável: há algum risco para a saúde humana?

Espaços vazios surgem na Sibéria devido ao degelo do permafrost. IMAGEM: www.wilderness-society.org

Durante muito tempo, imaginou-se que o gelo permanente das regiões polares fosse um ambiente biologicamente inerte. Hoje sabemos que não é. Sob a vasta camada de solo congelado do Ártico, conhecida como permafrost, encontram-se preservados inúmeros vestígios de ecossistemas antigos: raízes, sementes, restos de animais, tecidos orgânicos e uma imensa diversidade de microrganismos que permaneceram isolados durante milhares — e, em alguns casos, dezenas de milhares — de anos.

O permafrost começou a se formar durante as grandes glaciações dos últimos 2,6 milhões de anos. Nas regiões mais frias do hemisfério norte, o verão nunca chegava a descongelar completamente o solo. Assim, ano após ano, estabeleceu-se uma camada permanentemente congelada que, em alguns pontos da Sibéria, existe há centenas de milhares de anos.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

A Europa faz a escolha certa? Enquanto financia a guerra, compromete seu futuro climático

Nos últimos quatro anos de guerra na Ucrânia, União Europeia ampliou drasticamente seus gastos militares, mas avançou pouco na transição energética

Protesto "Welfare, not warfare" contra o rearmamento da União Europeia e da OTAN, ocorrido em 14.6.2026, em Roma (IMAGEM: il Fatto Quotidiano) e outras capitais europeias.

Desde o início do conflito militar em solo europeu, há 4 anos e meio, os países do bloco reduziram consideravelmente o consumo de gás e petróleo da Rússia, reorganizaram suas cadeias de abastecimento e passaram a tratar a segurança energética como uma questão de soberania nacional.

A guerra demonstrou que, quando há vontade política, a União Europeia é capaz de mobilizar, em poucos meses, recursos financeiros, capacidade industrial e instrumentos regulatórios de uma magnitude raramente observada. Então, por que essa mesma urgência não é evocada para cumprir suas próprias metas climáticas?