terça-feira, 4 de agosto de 2026

O frio que vem do céu

Como um fenômeno físico conhecido desde a Antiguidade inspirou pesquisas brasileiras sobre climatização passiva

Fabricação de gelo de modo similar ao usado na antiga Pérsia: expondo ao céu noturno água em recipientes rasos. IMAGEM: https://youtu.be/SJ09pwzgAdI?is=o8FgWBqB1Nn2p68V

No artigo anterior sobre arquitetura vernacular, vimos que aquele conhecimento, acumulado ao longo de milênios, constitui um verdadeiro laboratório. Muito antes da eletricidade e do ar-condicionado, diferentes civilizações aprenderam a utilizar o Sol, o vento, a massa térmica das edificações e até o frio do céu noturno para prover conforto térmico.

Um dos exemplos mais fascinantes dessa inteligência construtiva encontra-se nas cidades históricas do Irã. Seus badgirs (torres de vento), yakhchals (casas de gelo), ab anbars (cisternas subterrâneas) e pátios internos voltam hoje a orientar arquitetos e engenheiros na busca por edificações de baixo carbono e mais resilientes às ondas de calor causadas pelo aquecimento global.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Armazenamento em nuvem: qual o custo ambiental dos data centers?

Grande parte da informação que circula na Internet depende de uma infraestrutura altamente energívora, que também consome milhões de litros de água para dissipar o calor de seus computadores

Vapor de água dissipado acima das torres de resfriamento no data center The Dalles, no Oregon (EUA). FOTO: Google

Desde a Revolução Industrial, cada grande etapa do desenvolvimento econômico esteve associada a uma infraestrutura energética dominante. No século XIX, o carvão alimentou as máquinas a vapor. No século XX, o petróleo impulsionou a economia globalizada.

No século XXI, a sociedade digital parece funcionar de forma quase imaterial, mas depende de uma nova infraestrutura física: gigantescos data centers que armazenam, processam e distribuem informações continuamente.

domingo, 2 de agosto de 2026

Arquitetura vernacular: o que o passado ensina para resfriar as cidades do futuro

Muito antes da eletricidade e do ar-condicionado, diferentes civilizações aproveitavam fenômenos naturais para prover conforto térmico em suas edificações

Edificação moderna baseada na arquitetura vernacular iraniana. FOTO: www.stirworld.com/see-features-green-mansion-is-a-modern-construction-reaffirming-iranian-vernacular-architecture

A história da arquitetura costuma ser contada por meio de grandes monumentos, palácios e templos religiosos. Mas existe uma outra história, menos conhecida e igualmente fascinante: a das construções erguidas por comunidades que, ao longo de séculos, aprenderam a adaptar suas moradias ao clima, ao relevo, aos materiais locais e às necessidades de seus habitantes. É dessa experiência coletiva que nasce a arquitetura vernacular.

Muito mais do que um conjunto de técnicas construtivas, ela resulta de um processo de experimentação que atravessou gerações de povos de diferentes regiões do planeta. Essas populações observaram o comportamento do Sol, dos ventos, das chuvas e das estações do ano para desenvolver habitações capazes de oferecer conforto utilizando apenas os recursos disponíveis na própria natureza.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Um milhão de visitas ao blog: o valor da permanência

Se os primeiros anos foram marcados pela divulgação científica, hoje O Frio que Vem do Sol busca construir uma visão integrada do conhecimento

Sistema de conversão solar de máquina de gelo autônoma desenvolvida pelo grupo de pesquisa coordenado pelo editor de O Frio que Vem do Sol. Projeto científico que deu origem ao nome do blog. FOTO (2005): Antonio Pralon

Ao atingir a marca de 1 milhão de visitas, é hora de fazer um breve balanço para as pessoas que, em algum momento, encontraram neste blog um espaço para adquirir novos conhecimentos ou simplesmente refletir.

Em tempos de redes sociais dominadas por conteúdos de consumo instantâneo, esse número talvez pareça modesto. Não é. Para um blog autoral de divulgação científica, mantido de forma independente ao longo de mais de dezesseis anos, representa a prova de que ainda existe espaço para textos que convidam à reflexão.