terça-feira, 1 de setembro de 2026

A inteligência artificial pode nos tornar menos inteligentes?

Cada tecnologia que amplia nossa capacidade de conhecer também transforma a maneira como pensamos

Imagem criada por Inteligência Artificial

Muito antes dos computadores, da internet e da inteligência artificial, há cerca de 2.400 anos, Platão já se perguntava se uma ferramenta criada para ampliar o conhecimento humano não poderia, paradoxalmente, produzir o efeito contrário. Ele se referia à escrita.

No mito egípcio de Theuth narrado por Platão, o advento da escrita é apresentado como um remédio para a memória capaz de preservar o conhecimento e protegê-lo do esquecimento.

sábado, 15 de agosto de 2026

Aquecimento global: quando as pedras da fome reaparecem

Calor extremo agrava seca e faz antigos Hungersteine emergir de rios europeus, ameaçando colheitas e pressionando preço de alimentos

Hungerstein descoberta em 2014, em Gernrode, na região de Quedlimburgo, Alemanha, registrou nível extremamente baixo do rio, em seca de 1847.
FOTO: Olaf Meister

Em alguns rios da Europa Central existem pedras que, durante a maior parte do tempo, permanecem invisíveis sob a água. Elas só aparecem quando o nível dos rios desce excepcionalmente. São chamadas, em alemão, de Hungersteine — literalmente, “pedras da fome”.

Durante séculos, populações que viviam às margens de rios como o Elba gravaram nelas datas correspondentes a períodos de secas severas. Algumas receberam também inscrições destinadas às gerações futuras. A mais célebre delas, encontrada em Děčín, na atual República Tcheca, traz uma frase inquietante: Wenn du mich siehst, dann weine — “Se me vires, chora”.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

'L’Âme idéale': uma eutanásia espiritual para quem ainda não aceitou morrer

Entre vivos e mortos, uma comédia romântica sobre amor, perda e desapego

Cartaz do filme 'A alma ideal', primeiro longa-metragem de Alice Vial, lançado na França em dezembro de 2025; em Moscou, este mês.

Há uma ideia paradoxal em L’Âme idéale, filme francês dirigido por Alice Vial: morrer nem sempre é suficiente para estar morto. Algumas pessoas que deixaram a vida continuam presas a ela, incapazes de compreender ou aceitar inteiramente sua nova condição.

E é justamente aí que entra Elsa, a protagonista do filme: ela vê os mortos, conversa com eles e, principalmente, ajuda-os a partir. Uma estranha missão, que pode ser definida por uma expressão aparentemente contraditória: eutanásia espiritual.

domingo, 9 de agosto de 2026

Por que Deus teria criado um Universo tão grande?

Uma provocação de um Prêmio Nobel de Física sobre a imensidão do cosmos e o lugar que ocupamos nele

Representação da estrutura do Universo em grande escala: concentrações de matéria distribuídas ao longo de extensos filamentos, separados por enormes vazios cósmicos. IMAGEM: Volker Springel (Max Planck Institute for Astrophysics) et al./NASA

Richard Feynman, um dos grandes nomes da física moderna e Prêmio Nobel de Física de 1965, lançou, em uma entrevista concedida em 1959, uma provocação que permanece atual. Ao questionar a ideia de que o Universo teria sido criado em função da existência humana, recorreu a uma imagem que se tornaria célebre: “o palco é grande demais para o drama”.

Feynman era movido por uma profunda curiosidade sobre a natureza e não escondia seu ceticismo em relação à religião. Isso, porém, não o impedia de tratar com seriedade a questão do significado que atribuímos ao Universo. Ao refletir sobre o valor da ciência, chamou a atenção para um fato histórico: as grandes tradições religiosas nasceram quando o cosmos conhecido era incomparavelmente menor do que aquele revelado pela astronomia contemporânea.