segunda-feira, 13 de abril de 2015

Geração eólica em centros urbanos?

Desafio é produzir energia com pequenas turbinas, sob ventos fracos e de forma rentável

‘Árvore de vento’: invenção francesa para produzir energia renovável nas cidades
http://www.ladepeche.fr/article/2014/11/30/2002017-arbre-vent-eolienne-exploiter-courants-air-ville.html

Recentemente, a Torre Eiffel ganhou duas pequenas turbinas eólicas.

O feito abriu espaço à discussão sobre o aproveitamento de ventos em áreas urbanas para gerar energia.

As duas turbinas eólicas (de 3,5 kW cada), instaladas no mês passado no monumento mais famoso do planeta, mereceram grande destaque da mídia.

Estrela do turismo mundial, com 7 milhões de visitantes ao ano, a Torre Eiffel estava simbolicamente agregando ao seu patrimônio um sistema de produção de energia limpa.

De fato, apenas uma ínfima parte de suas necessidades energéticas será atendida pelos dois rotores de eixo vertical, movidos pelo vento abundante que sopra nas alturas do seu primeiro andar, a 127 metros do solo.

Com 7 m de comprimento e pás de 3 m de envergadura, as turbinas eólicas vão fornecer 10 mil kWh de energia por ano, o que equivale a apenas 0,15% de todo o consumo da torre.

O consumo anual da “dama de ferro” é de 6,7 GWh, uma energia suficiente para abastecer 750 residências “médias” francesas.

Turbina eólica instalada na Torre Eiffel (FOTO: Urban Green Energy)
http://www.notre-planete.info/actualites/4222-tour-eiffel-eoliennes

A instalação dos geradores eólicos no célebre monumento parisiense, além da sua significação simbólica, relançou o debate sobre o aproveitamento de ventos urbanos para produzir energia.

Pequenos aerogeradores em meio urbano não gozam de boa reputação. A má qualidade dos ventos, fortemente perturbados pelas edificações, faz com que os sistemas eólicos sejam pouco eficientes. Turbinas de eixo horizontal, com 5 m de diâmetro, não alcançam mais que 2 kW de potência.

Com base em dados de um relatório técnico publicado recentemente, a Agência francesa de Meio Ambiente e Gestão da Energia (Ademe, na sigla em francês) desaconselha a instalação de sistemas eólicos nas cidades.

No mesmo documento, a Ademe preconiza o uso disseminado de pequenos aerogeradores no meio rural; assim mesmo, só com aval de um estudo prévio do potencial de ventos na região considerada.

Mas, não deixa de ser atraente a ideia de se produzir energia de forma descentralizada, em locais onde a eletricidade é requerida, exatamente o que se espera de pequenos geradores eólicos.

Aliás, um sistema eólico inovador – made in France – aparentemente mais vantajoso que os tradicionais aerogeradores de eixo horizontal, em breve será instalado e testado em Paris, na Place de la Concorde.

Trata-se da “árvore de vento”, concebida pela empresa New Wind; uma estrutura de 10 m de altura, dotada de 63 mini turbinas em forma de folhas roliças (foto).

Detalhes das “folhas eólicas” da Arbre au Vent
http://alanwarrenstudio.tumblr.com/post/104293465041/clever-bugger-of-the-day-15-4-12-14-the-wind

O desenho dessas “folhas eólicas” permite captar ventos provenientes de qualquer direção, em pleno centro ou na periferia das cidades.

“A ideia surgiu quando vi as folhas de uma árvore tremendo, quando não se sentia vento algum no local; percebi, então, que era uma energia que podia ser convertida em watts”, diz Jérôme Michaud-Larivière, diretor da startup parisiense inventora da árvore de vento.

Um protótipo, testado durante 3 anos pela New Wind, mostrou que as folhas eólicas começam a girar sob ventos de 2 m por segundo (ao invés de 4 m/s, como nas eólicas tradicionais). Os testes foram realizados em Pleumeur-Bodou (Côtés d’Armor).

Segundo Michaud-Larivière, com velocidade média de 3,5 m/s a árvore de vento seria rentável. Para ventos entre 2 e 4 m/s, a potência da árvore eólica varia entre 2, 5 e 3,5 kW.

Já a Ademe diz que a experiência mostra que pequenos aerogeradores são rentáveis apenas para uma potência mínima de 5 kW.

Outro fator limitante por ora é o custo da árvore de vento: 30 mil euros, fora taxas. No entanto, para eventuais consumidores é possível adquirir kits com uma só folha eólica, passível de ser instalada no telhado de casa ou no carro.

Em todo caso, custo de fabricação à parte, a produtividade real de pequenos aerogeradores em meio urbano ainda carece de uma avaliação mais ampla, especialmente em metrópoles como Paris.

Um comentário:

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