segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

EUA estão ‘perdendo o bonde’ das tecnologias limpas, diz estudo

Segundo a ONG Pew, americanos podem perder liderança em inovação e mercado de energias renováveis 

http://sustainableenergysystemz.com/the-sustainable-energy-race-whos-going-to-win-it/903/ 

O setor de energia limpa deve movimentar globalmente 2 trilhões de dólares, de 2012 a 2018, e os Estados Unidos podem perder boa parte desse mercado. É o que diz o relatório Innovative, Manufacture Compete – A clean energy action plan, da ONG americana Pew Charitable Trusts, divulgado no final de 2012. 

“Líder mundial em inovação e fabricação de tecnologias de energia limpa, os EUA se deparam atualmente com sérios desafios competitivos. Outros países estão ganhando terreno, inclusive ameaçando a liderança americana de longa data em inovação”, diz o documento.

De acordo com o estudo, entre 2004 e 2011, o investimento em fontes renováveis (exceto P&D) cresceu 600%, com os países do G-20 respondendo por 95% do investimento total. Na atual década, investimentos em países da África, Ásia e América Latina devem crescer entre 10 e 20%. 

Em 2018, a capacidade global instalada adicional com energias renováveis (exceto hídrica convencional) deve alcançar quase 193 GW (gráfico), com predomínio da eólica (offshore e onshore) e da solar fotovoltaica (PV). 

Evolução anual da capacidade instalada global com energia limpa (2012-2018). FONTE: Pike Research. 

Nos Estados Unidos, projeta-se para 2018 uma capacidade nova instalada com fontes limpas de 24 GW, o dobro da registrada em 2012, mas apenas 12% da capacidade adicional instalada no mundo, ante os atuais 15% (em números redondos).

No período total avaliado (2012-2018), o país deve contar com mais 126 GW de origem renovável, com predomínio da eólica onshore, seguida pela solar fotovoltaica. Mas também com uma expansão significativa da geração termelétrica a biomassa e, com menor intensidade, da eólica offshore. 

Para Dana Christensen, do Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL, em inglês), é preciso uma política consistente e de longo prazo para a inovação no setor de energia. 

“Isto vai garantir a continuidade da queda nos custos da energia renovável e das tecnologias de eficiência energética, tornando-as mais competitivas”, declarou a pesquisadora em painel sobre política para tecnologias limpas, organizado pela Pew. 

O governo americano tem apoiado um importante programa de colaboração (o SunShot Initiative) entre universidades, empresas privadas e laboratórios nacionais, visando reduzir em 75% o custo da energia solar até 2020, em relação ao valor de 2010. Assim, espera-se que este recurso renovável responda por 15 a 18% de toda a eletricidade produzida no país até 2030. 

Apesar de iniciativas como esta, consultas feitas pela Pew a dirigentes da indústria americana revelam que no topo da lista de impedimentos ao avanço das tecnologias limpas no país está a falta de uma política clara para o setor. 

A ONG recomenda em seu relatório seis pontos para subsidiar uma política consistente e duradoura para o setor de fontes renováveis:

1) Estabelecer um padrão de referência para as energias limpas. A Pew classifica a atual política como “episódica” e destaca que, mais do que incentivos fiscais oscilantes, a indústria precisa de apoios estáveis no curto prazo;

2) Instaurar um sistema de créditos tributários para fontes renováveis com duração limitada, mas aplicável por vários anos. Maior clareza na política, especialmente em relação a crédito fiscal para a geração eólica; 

3) Aumentar significativamente o investimento em P&D na área de energia. Na 8ª posição entre os países do G-20 neste quesito, os EUA amargam o 10º lugar no ranking mundial da taxa de crescimento da capacidade instalada com energia limpa, desde 2006; 

4) Nivelar o “campo de jogo” dos diversos setores energéticos, avaliando as barreiras existentes para a competitividade. É fato que todas as fontes de energia, renováveis e de origem fóssil, recebem incentivos fiscais. Mas a Pew observa que há muitas formas de nivelar o campo de jogo, tais como contabilizar o uso de água na produção de energia; 

5) Renovar incentivos para a produção doméstica de energia limpa. A Pew cita um dos programas estatais (Seção 48C) que permite aumentar o crédito fiscal para o setor, contribuindo para a criação de empregos e o fortalecimento da economia “verde”; 

6) Criar uma estratégia para estender a outros países o mercado de “bens de energia limpa” e serviços. O relatório ressalta que parte dos 6 trilhões de dólares a serem comercializados pelo setor até 2030 estarão em economias emergentes. Os EUA podem se tornar um exportador de tecnologia limpa, incluindo soluções de “microrredes” voltadas para países em desenvolvimento. 

Um comentário:

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