sábado, 16 de julho de 2011

Indicadores de C&T: quase metade de todo investimento brasileiro é no estado de São Paulo, diz Fapesp

Em 2008, dispêndio com pesquisa e desenvolvimento em São Paulo foi de 1,52% do PIB estadual; no Brasil, gasto total com P&D foi de 1,14% do PIB nacional

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Os dados constam da nova edição dos Indicadores de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo - 2010, publicada este mês pela Fapesp. De todo investimento em P&D feito no Brasil em 2008, 45,3% foi no estado de São Paulo.

O investimento em P&D em São Paulo foi 1/3 maior que o do país como um todo, em relação aos respectivos PIBs em 2008, e maior que o de países como Portugal, China, Irlanda, Espanha e Itália (Fig. 1). 

Mas ficou atrás dos tigres asiáticos Coréia do Sul e Taiwan e dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), que é de 2,3% do PIB regional (Fig. 1).

Figura 1. Gastos com P&D em relação ao PIB 2008 (em %) de 28 países mais OCDE

O setor privado contribuiu com quase 62% do investimento total em P&D, enquanto as agências de fomento (federais e estadual) arcaram com cerca de 9% e as universidades e institutos de pesquisa com o restante (29%).

Nos demais estados da federação, o gasto privado médio em P&D foi de 38%, enquanto o aporte federal foi de 53% ante apenas 13% em São Paulo.

As empresas paulistas tiveram mais pesquisadores que as instituições de ensino superior (IES) e os institutos de pesquisa juntos (Fig. 2). O contingente total de pesquisadores em 2008 foi de quase 63 mil, um aumento de 66% em relação ao estimado em 1995.

São Paulo tem mais pesquisadores em empresas e uma taxa de conclusão no ensino superior maior que a Espanha, diz o relatório.

Figura 2. Evolução da quantidade de pesquisadores no estado de São Paulo

No ensino superior brasileiro, a “taxa bruta de matrículas” (razão do total de matrículas pela população entre 18 e 24 anos), em números redondos, passou de 11% para 19%, de 1999 a 2006, enquanto no estado de São Paulo a evolução foi de 15% para 24% no mesmo período.

Em relação à pós-graduação, entre as universidades que formaram 75% dos doutores brasileiros em 2007 (9.919), as IES paulistas (USP, Unicamp, Unesp, PUC e Unifesp) responderam por 41% das titulações (Fig. 3).

Figura 3. Universidades que mais formaram doutores no Brasil em 2007

O indicador de produção científica mostra que, entre as 15 instituições brasileiras que mais publicaram entre 2002 e 2006, as paulistas foram responsáveis por 51% das publicações indexadas (Fig. 4).

Entre os diversos indicadores avaliados, um deles aponta as fragilidades estruturais da indústria brasileira, expresso pela razão do gasto interno pelo valor agregado. A média nacional em 2005 foi de 1,5%, enquanto em São Paulo o índice foi de 2,1%, muito abaixo da média de 7,7% dos países da OCDE.

As diferenças são ainda mais acentuadas nos setores de alta tecnologia, exceto no de aeronáutica, no qual o Brasil (São Paulo) tem um índice comparável ao dos países da OCDE.

Figura 4. Instituições brasileiras que mais publicaram entre 2002 e 2006

No ranking de patentes internacionais, o estudo mostra que o Brasil permanece no mesmo patamar há três décadas; manteve-se na 29ª posição entre 1998 e 2006. Entre as patentes depositadas no Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI) entre 1980 e 2005, São Paulo lidera, com 49,5% do total.

O estudo destaca que “a mera manutenção da posição no ranking mundial de patentes não deve ser uma meta de política pública, para um país que ainda não superou a barreira histórica do subdesenvolvimento”.

“A timidez do patenteamento de empresas deve servir como um alerta para a necessidade de políticas industriais e tecnológicas mais audazes, dada a necessidade de ampliação expressiva do envolvimento de empresas com atividades inovativas”, concluem os autores deste capítulo dos Indicadores 2010 da Fapesp.

Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4477&bd=1&pg=1&lg=

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