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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Mudança climática: microrganismos que emergem do Ártico, após milênios congelados, representam perigo?

À medida que o aquecimento global acelera o degelo do permafrost e expõe vírus e bactérias preservados durante milhares de anos, surge uma pergunta inevitável: há algum risco para a saúde humana?

Espaços vazios surgem na Sibéria devido ao degelo do permafrost. IMAGEM: www.wilderness-society.org

Durante muito tempo, imaginou-se que o gelo permanente das regiões polares fosse um ambiente biologicamente inerte. Hoje sabemos que não é. Sob a vasta camada de solo congelado do Ártico, conhecida como permafrost, encontram-se preservados inúmeros vestígios de ecossistemas antigos: raízes, sementes, restos de animais, tecidos orgânicos e uma imensa diversidade de microrganismos que permaneceram isolados durante milhares — e, em alguns casos, dezenas de milhares — de anos.

O permafrost começou a se formar durante as grandes glaciações dos últimos 2,6 milhões de anos. Nas regiões mais frias do hemisfério norte, o verão nunca chegava a descongelar completamente o solo. Assim, ano após ano, estabeleceu-se uma camada permanentemente congelada que, em alguns pontos da Sibéria, existe há centenas de milhares de anos.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Mudança climática gera maior ocorrência de turbulências em voos sob ‘céu de brigadeiro’, diz estudo

Para cada 1oC de aquecimento global próximo à superfície, espera-se um aumento de 9% a 14% de turbulências moderadas em céu limpo até 2050

Representação de correntes de jato, subtropicais e polares. Adaptado de:
https://dashamlav.com/jet-streams-meaning-definition-causes-effect-of-weather/

A mudança de clima representa muitos desafios para a indústria da aviação; entre eles, um potencial crescimento na frequência da chamada “turbulência de ar claro” (CAT, na sigla em inglês).

Este tipo de instabilidade em voos se deve à alteração do padrão de ventos, causada pela diferença de temperatura entre camadas de ar acima e abaixo da trajetória da aeronave, e pode afetar a segurança de seus ocupantes.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Crise climática: emissões ligadas ao consumo de bilionários dificultam combate ao aquecimento global

Em 2030, emissões por habitante entre os 1% mais ricos devem superar 30 vezes a média per capita compatível com aumento de temperatura de até 1,5 oC

https://www.oxfamfrance.org/wp-content/uploads/2022/02/rapport_milliardaires_carbone220222.pdf

Incêndios, inundações, ondas de calor, elevação do nível de mares e oceanos... enquanto a ocorrência de fenômenos extremos intensifica-se, a emissão de gases de efeito estufa associada ao consumo dos bilionários não para de crescer.

Até o final da década, os 1% mais ricos devem aumentar em 25% suas emissões per capita de gases de efeito estufa, em relação a 1990. Representavam 13% das emissões totais naquele ano; devem responder por 16% em 2030.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

COP27: um pequeno passo para o Sul global e uma grande falta de ambição

Criação de fundo para ‘perdas e danos’ é maior conquista da cúpula climática; omissão sobre redução drástica de emissões, seu maior fracasso

Manifestação pela criação de um fundo para compensar “perdas e danos” causadas pela mudança climática, em 17 de novembro em Sharm El-Sheikh (Egito). FOTO: Peter Dejong/AP Photo/KEYSTONE

Encerrada no último domingo, a Conferência das Partes do Egito (COP27) teve um desfecho favorável ao clamor de ambientalistas e representantes de nações do hemisfério Sul – onde está a maioria dos países mais vulneráveis ao aquecimento global: o compromisso dos países ricos e maiores emissores de carbono com a “justiça climática”.

Por outro lado, frustrou cientistas e outros tantos militantes da causa climática, pela falta de respostas à necessária redução drástica das emissões de gases nocivos à atmosfera, uma urgência eloquentemente reafirmada nos relatórios mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Guerra na Ucrânia pode acelerar transição energética na Europa?

As consequências do conflito militar em solo europeu sobre a trajetória de emissões globais de carbono são ainda incertas

FOTO: Czarek Sokotowski/AP (https://cutt.ly/3Hyjnp4)

Incertezas sobre o suprimento energético para os países do velho continente vão acelerar os investimentos em energias renováveis ou pôr em xeque acordos climáticos já firmados, permitindo a revisão de metas de redução de emissões de carbono?

Após quase três meses de guerra na Ucrânia, o custo ambiental local é inegável, mas suas consequências sobre o clima global são uma incógnita, diante do embargo imposto pela União Europeia à importação de gás e petróleo da Rússia.

quarta-feira, 23 de março de 2022

Relatório IPCC 2022 reenfatiza: ‘Mudança climática ameaça bem-estar da humanidade e saúde do planeta’

Nova publicação de especialistas internacionais do clima trata dos efeitos do aquecimento global e das vulnerabilidades e capacidades de adaptação a ele

Igarapé do Rio Paraná do Mamori, na Amazônia. FOTO (2021): Antonio Pralon

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) divulgou no último dia 28 a segunda parte do seu 6º relatório de avaliação (AR6), redigido por 270 cientistas de 67 países.

O documento sintetiza estudos sobre os efeitos atuais do aquecimento climático -que registrou em 2021 uma alta de 1,09 oC em relação à temperatura planetária na era pré-industrial- sobre as populações mais vulneráveis e ecossistemas.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Aquecimento global: qual a importância da COP26 e o que esperar dela?

Próxima conferência mundial sobre o clima acontece dias após anúncio do aumento recorde da concentração de CO2 atmosférico; o que esperar concretamente dos países mais poluidores?

IMAGEM: Getty/BBC https://www.bbc.com/afrique/monde-58970767

Às vésperas de mais uma cúpula climática global, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou nesta segunda-feira (25) que a taxa de aumento anual do CO2 equivalente despejado na atmosfera em 2020 foi “superior à média da última década”; sua concentração superou a marca de 413 ppm (partes por milhão).

Apesar da pandemia de Covid-19 ter reduzido drasticamente a atividade econômica no ano passado, a quantidade de gases de efeito estufa -responsáveis pelo aquecimento global- emitidos atingiu 149% do nível pré-industrial, ou seja, uma concentração 2,5 vezes maior do que há 150 anos.

Mudança climática: degradação de permafrost do Ártico representa ‘riscos bioquímicos emergentes’, diz estudo

Além de emitir gases de efeito estufa, degelo acelerado na região pode liberar patógenos altamente nocivos à saúde humana

Pergelissolo no Ártico canadense. “O permafrost é uma condição térmica, cuja formação, persistência e degradação dependem fortemente do clima”: https://www.campbellsci.com.br/canadian-permafrost

A criosfera da Região Ártica está entrando em colapso e apresenta riscos ambientais superpostos. É o que diz o artigo Emergent Biochemical Risks from Arctic Permafrost Degradation, publicado no mês passado na revista Nature Climate Change.

“O degelo do pergelissolo (permafrost), em particular, ameaça liberar materiais biológicos, químicos e radiativos sequestrados durante dezenas a centenas de milhares de anos”, diz a publicação.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Mudança climática: mais de 99,9% dos estudos afirmam que atividade humana é causa principal

Nova pesquisa amplia ainda mais universo de estudos climáticos que apontam ação antrópica como determinante no aquecimento global

“A mudança climática é uma farsa”. Ideia de que aquecimento global se deve a fenômenos naturais tornou-se mito aos olhos da Ciência do século XXI

Artigo publicado hoje na revista Environmental Research Letters atualiza uma publicação de 2013, que trazia uma concordância de 97% entre estudos climáticos revisados por pares, mostrando que a mão do homem está mudando o clima. Agora essa concordância atinge praticamente 100%.

O resultado da pesquisa de 8 anos atrás considerou trabalhos publicados em revistas internacionais com corpo editorial, entre 1991 e 2012. Já a análise da compilação de textos científicos divulgada hoje, refere-se a estudos publicados entre 2012 e 2020.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Mudança Climática: 6º relatório de avaliação do IPCC é ‘sinal vermelho para a humanidade’

Atividade humana está mudando o clima de modo sem precedente e algumas vezes irreversível, diz o aguardado informe científico da ONU

https://www.youtube.com/watch?v=uFSfev42g-4&list=UU-BV48SdxnFNereKJXyXLWg&t=40s

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), coordenado pela ONU, divulgou hoje o seu mais importante relatório científico desde 2014: o 6º Relatório de Avaliação (AR6 Climate Change 2021: The Physical Science Basis).

Aprovado por 234 autores e 195 governos, é indiscutivelmente o trabalho de maior abrangência e consistência que o IPCC já produziu. Uma contribuição do Grupo de Trabalho I, que traz os últimos avanços da ciência climática, combinando múltiplas linhas de evidências do paleoclima, observações, processos de compreensão e simulações climáticas global e regional. 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Mudança Climática: por que o próximo relatório de especialistas da ONU é tão aguardado?

Informe científico previsto para 9 de agosto deve reforçar alertas anteriores sobre consequências nefastas do aquecimento global, à luz de novos conhecimentos

Pesquisadores da Universidade de Northumbria (Reino Unido) investigam degelo de permafrost na Sibéria https://phys.org/news/2021-03-impact-climate-siberia-permafrost.html Impacto do aquecimento global sobre áreas geladas, como glaciais e permafrost, que representam 10% da superfície terrestre, é objeto de “relatório de avaliação” do IPCC/ONU  

Daqui há 12 dias, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), coordenado pela ONU, deve emitir um novo alerta sobre a situação climática planetária. E não será apenas “mais um”.

Desta vez o que será publicado resulta de uma compilação de 14 mil artigos científicos. Trata-se da primeira parte da 6ª edição de um “relatório de avaliação” que o IPCC divulga a cada sete anos.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Clima: qual será a temperatura da Terra no final do século?

Cientistas estudam novos cenários de aquecimento climático, considerando diferentes políticas econômicas


O verão europeu de 2019 registrou uma temperatura média recorde, com fortes ondas de calor e chuvas torrenciais que afetaram meio bilhão de habitantes.

Meses depois, a humanidade enfrenta a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, com drástica redução da atividade econômica e, portanto, das emissões antrópicas de CO2 que contribuem para o aquecimento atmosférico.