Mostrando postagens com marcador aquecimento global. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aquecimento global. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de agosto de 2026

Aquecimento global: quando as pedras da fome reaparecem

Calor extremo agrava seca e faz antigos Hungersteine emergir de rios europeus, ameaçando colheitas e pressionando preço de alimentos

Hungerstein descoberta em 2014, em Gernrode, na região de Quedlimburgo, Alemanha, registrou nível extremamente baixo do rio, em seca de 1847.
FOTO: Olaf Meister

Em alguns rios da Europa Central existem pedras que, durante a maior parte do tempo, permanecem invisíveis sob a água. Elas só aparecem quando o nível dos rios desce excepcionalmente. São chamadas, em alemão, de Hungersteine — literalmente, “pedras da fome”.

Durante séculos, populações que viviam às margens de rios como o Elba gravaram nelas datas correspondentes a períodos de secas severas. Algumas receberam também inscrições destinadas às gerações futuras. A mais célebre delas, encontrada em Děčín, na atual República Tcheca, traz uma frase inquietante: Wenn du mich siehst, dann weine — “Se me vires, chora”.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Mudança climática: microrganismos que emergem do Ártico, após milênios congelados, representam perigo?

À medida que o aquecimento global acelera o degelo do permafrost e expõe vírus e bactérias preservados durante milhares de anos, surge uma pergunta inevitável: há algum risco para a saúde humana?

Espaços vazios surgem na Sibéria devido ao degelo do permafrost. IMAGEM: www.wilderness-society.org

Durante muito tempo, imaginou-se que o gelo permanente das regiões polares fosse um ambiente biologicamente inerte. Hoje sabemos que não é. Sob a vasta camada de solo congelado do Ártico, conhecida como permafrost, encontram-se preservados inúmeros vestígios de ecossistemas antigos: raízes, sementes, restos de animais, tecidos orgânicos e uma imensa diversidade de microrganismos que permaneceram isolados durante milhares — e, em alguns casos, dezenas de milhares — de anos.

O permafrost começou a se formar durante as grandes glaciações dos últimos 2,6 milhões de anos. Nas regiões mais frias do hemisfério norte, o verão nunca chegava a descongelar completamente o solo. Assim, ano após ano, estabeleceu-se uma camada permanentemente congelada que, em alguns pontos da Sibéria, existe há centenas de milhares de anos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Qual o impacto de aerossóis sobre o clima?

Maior parte dos aerossóis atenua aquecimento planetário, mas seu impacto dura pouco, comparado ao efeito estufa de origem antrópica

https://www.youtube.com/watch?v=lGNCrfKG7iM

Há muito tempo se sabe que os chamados “gases de efeito estufa” aquecem a atmosfera, por meio de um mecanismo similar ao que ocorre dentro de um carro fechado quando seus vidros são expostos ao sol.

Mas, o que dizer dos aerossóis, partículas em suspensão no ar, liberadas por atividades naturais e humanas? Que outro efeito, além da poluição ambiental, exercem sobre a atmosfera? Contribuem para aumentar ou para reduzir o aquecimento global?

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Mudança climática gera maior ocorrência de turbulências em voos sob ‘céu de brigadeiro’, diz estudo

Para cada 1oC de aquecimento global próximo à superfície, espera-se um aumento de 9% a 14% de turbulências moderadas em céu limpo até 2050

Representação de correntes de jato, subtropicais e polares. Adaptado de:
https://dashamlav.com/jet-streams-meaning-definition-causes-effect-of-weather/

A mudança de clima representa muitos desafios para a indústria da aviação; entre eles, um potencial crescimento na frequência da chamada “turbulência de ar claro” (CAT, na sigla em inglês).

Este tipo de instabilidade em voos se deve à alteração do padrão de ventos, causada pela diferença de temperatura entre camadas de ar acima e abaixo da trajetória da aeronave, e pode afetar a segurança de seus ocupantes.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Crise climática: emissões ligadas ao consumo de bilionários dificultam combate ao aquecimento global

Em 2030, emissões por habitante entre os 1% mais ricos devem superar 30 vezes a média per capita compatível com aumento de temperatura de até 1,5 oC

https://www.oxfamfrance.org/wp-content/uploads/2022/02/rapport_milliardaires_carbone220222.pdf

Incêndios, inundações, ondas de calor, elevação do nível de mares e oceanos... enquanto a ocorrência de fenômenos extremos intensifica-se, a emissão de gases de efeito estufa associada ao consumo dos bilionários não para de crescer.

Até o final da década, os 1% mais ricos devem aumentar em 25% suas emissões per capita de gases de efeito estufa, em relação a 1990. Representavam 13% das emissões totais naquele ano; devem responder por 16% em 2030.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

COP27: um pequeno passo para o Sul global e uma grande falta de ambição

Criação de fundo para ‘perdas e danos’ é maior conquista da cúpula climática; omissão sobre redução drástica de emissões, seu maior fracasso

Manifestação pela criação de um fundo para compensar “perdas e danos” causadas pela mudança climática, em 17 de novembro em Sharm El-Sheikh (Egito). FOTO: Peter Dejong/AP Photo/KEYSTONE

Encerrada no último domingo, a Conferência das Partes do Egito (COP27) teve um desfecho favorável ao clamor de ambientalistas e representantes de nações do hemisfério Sul – onde está a maioria dos países mais vulneráveis ao aquecimento global: o compromisso dos países ricos e maiores emissores de carbono com a “justiça climática”.

Por outro lado, frustrou cientistas e outros tantos militantes da causa climática, pela falta de respostas à necessária redução drástica das emissões de gases nocivos à atmosfera, uma urgência eloquentemente reafirmada nos relatórios mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

sábado, 5 de novembro de 2022

COP27: Conferência Climática da ONU tem desafios urgentes e Brasil não mais como ‘pária internacional’

Emissões poluentes em alta na Amazônia e outras partes do mundo devem recolocar meta por ‘neutralidade em carbono’ como prioridade

Manifestante em protesto por ação climática, em Toulouse (França), em 23 de setembro de 2022. FOTO: Alain Pitton/NurPhoto via AP

Conforme diz o comunicado da ONU, a 27ª Conferência das Partes sobre o clima (COP27) visa “renovar a solidariedade entre os países e concretizar os compromissos assumidos no Acordo de Paris (2015) em prol das pessoas e do planeta”.

Sob a liderança do presidente recém-eleito, Lula, o Brasil participa como potencial player dos acordos globais que estarão em jogo na COP27, que acontece em Sharm El-Sheikh, Egito, de 6 a 18 de novembro.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Mudança climática: aquecimento na França deve superar 50% do previsto para este século

Aumento de temperatura no país foi estimado por especialistas franceses, com base em uma nova metodologia de cálculo

Lago de Montbel, em Ariège (França), em agosto de 2022, com suas atividades náuticas interrompidas por conta da intensa seca. IMAGENS: Météo Pyrénées (foto maior), Tripadvisor (foto sobreposta)

Mantido o atual ritmo de emissões de carbono, a temperatura ambiental média do “Hexágono” (alusão à forma geométrica do território francês) deve superar em 3,8 oC o valor registrado no início do século XX.

Para chegar a este valor, uma equipe de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês), da Météo France e do Centro Europeu de Pesquisa e Formação Avançada em Cálculo Científico usou um modelo inovador, validado por dados climáticos observados a longo termo.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Guerra na Ucrânia pode acelerar transição energética na Europa?

As consequências do conflito militar em solo europeu sobre a trajetória de emissões globais de carbono são ainda incertas

FOTO: Czarek Sokotowski/AP (https://cutt.ly/3Hyjnp4)

Incertezas sobre o suprimento energético para os países do velho continente vão acelerar os investimentos em energias renováveis ou pôr em xeque acordos climáticos já firmados, permitindo a revisão de metas de redução de emissões de carbono?

Após quase três meses de guerra na Ucrânia, o custo ambiental local é inegável, mas suas consequências sobre o clima global são uma incógnita, diante do embargo imposto pela União Europeia à importação de gás e petróleo da Rússia.

quarta-feira, 23 de março de 2022

Relatório IPCC 2022 reenfatiza: ‘Mudança climática ameaça bem-estar da humanidade e saúde do planeta’

Nova publicação de especialistas internacionais do clima trata dos efeitos do aquecimento global e das vulnerabilidades e capacidades de adaptação a ele

Igarapé do Rio Paraná do Mamori, na Amazônia. FOTO (2021): Antonio Pralon

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) divulgou no último dia 28 a segunda parte do seu 6º relatório de avaliação (AR6), redigido por 270 cientistas de 67 países.

O documento sintetiza estudos sobre os efeitos atuais do aquecimento climático -que registrou em 2021 uma alta de 1,09 oC em relação à temperatura planetária na era pré-industrial- sobre as populações mais vulneráveis e ecossistemas.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Aquecimento global: qual a importância da COP26 e o que esperar dela?

Próxima conferência mundial sobre o clima acontece dias após anúncio do aumento recorde da concentração de CO2 atmosférico; o que esperar concretamente dos países mais poluidores?

IMAGEM: Getty/BBC https://www.bbc.com/afrique/monde-58970767

Às vésperas de mais uma cúpula climática global, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou nesta segunda-feira (25) que a taxa de aumento anual do CO2 equivalente despejado na atmosfera em 2020 foi “superior à média da última década”; sua concentração superou a marca de 413 ppm (partes por milhão).

Apesar da pandemia de Covid-19 ter reduzido drasticamente a atividade econômica no ano passado, a quantidade de gases de efeito estufa -responsáveis pelo aquecimento global- emitidos atingiu 149% do nível pré-industrial, ou seja, uma concentração 2,5 vezes maior do que há 150 anos.

Mudança climática: degradação de permafrost do Ártico representa ‘riscos bioquímicos emergentes’, diz estudo

Além de emitir gases de efeito estufa, degelo acelerado na região pode liberar patógenos altamente nocivos à saúde humana

Pergelissolo no Ártico canadense. “O permafrost é uma condição térmica, cuja formação, persistência e degradação dependem fortemente do clima”: https://www.campbellsci.com.br/canadian-permafrost

A criosfera da Região Ártica está entrando em colapso e apresenta riscos ambientais superpostos. É o que diz o artigo Emergent Biochemical Risks from Arctic Permafrost Degradation, publicado no mês passado na revista Nature Climate Change.

“O degelo do pergelissolo (permafrost), em particular, ameaça liberar materiais biológicos, químicos e radiativos sequestrados durante dezenas a centenas de milhares de anos”, diz a publicação.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Aquecimento global: 9 países entre os 20 maiores emissores de metano assumem compromisso de redução

Em reunião preparatória para a COP26, vice-presidente da Comissão Europeia diz que ‘melhor estratégia para enfrentar mudança climática é reduzir rapidamente emissões globais de CH4’

Forçagem radiativa – evolução de 1979 a 2010. Adaptado de https://www.futura-sciences.com/planete/definitions/climatologie-forcage-radiatif-10242/

Em escala secular, o gás metano (CH4) tem um poder de aquecimento atmosférico quase 30 vezes maior que o CO2. Responde por 1/3 do chamado “efeito estufa” natural e 17% das emissões antrópicas, ante 65% do CO2.

No mês passado, um conjunto de países responsáveis pela maior parte do CH4 liberado na atmosfera se comprometeu em reduzir as emissões deste gás.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Destruição da floresta Amazônica pode gerar calor extremo para metade dos habitantes da região, diz estudo

Pesquisadores simulam savanização do maior bioma tropical do planeta ao horizonte de 2100; resultados são catastróficos para saúde humana e clima global

https://www.dw.com/pt-br/processo-de-savaniza%C3%A7%C3%A3o-da-amaz%C3%B4nia-j%C3%A1-come%C3%A7ou/a-58809139

Mais de 11 milhões de pessoas que vivem na Amazônia Legal, ou cerca de 50% de sua população, podem ser afetadas pelo calor extremo gerado pelo desmatamento.

É o que diz o estudo Deforestion and climate change are projected to increase heat stress risk in the Brazilian Amazon, publicado hoje na revista Nature, de autoria dos brasileiros Beatriz Oliveira, Marcus Bottino, Paulo Nobre e Carlos Nobre.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Mudança Climática: 6º relatório de avaliação do IPCC é ‘sinal vermelho para a humanidade’

Atividade humana está mudando o clima de modo sem precedente e algumas vezes irreversível, diz o aguardado informe científico da ONU

https://www.youtube.com/watch?v=uFSfev42g-4&list=UU-BV48SdxnFNereKJXyXLWg&t=40s

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), coordenado pela ONU, divulgou hoje o seu mais importante relatório científico desde 2014: o 6º Relatório de Avaliação (AR6 Climate Change 2021: The Physical Science Basis).

Aprovado por 234 autores e 195 governos, é indiscutivelmente o trabalho de maior abrangência e consistência que o IPCC já produziu. Uma contribuição do Grupo de Trabalho I, que traz os últimos avanços da ciência climática, combinando múltiplas linhas de evidências do paleoclima, observações, processos de compreensão e simulações climáticas global e regional. 

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Mudança Climática: por que o próximo relatório de especialistas da ONU é tão aguardado?

Informe científico previsto para 9 de agosto deve reforçar alertas anteriores sobre consequências nefastas do aquecimento global, à luz de novos conhecimentos

Pesquisadores da Universidade de Northumbria (Reino Unido) investigam degelo de permafrost na Sibéria https://phys.org/news/2021-03-impact-climate-siberia-permafrost.html Impacto do aquecimento global sobre áreas geladas, como glaciais e permafrost, que representam 10% da superfície terrestre, é objeto de “relatório de avaliação” do IPCC/ONU  

Daqui há 12 dias, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), coordenado pela ONU, deve emitir um novo alerta sobre a situação climática planetária. E não será apenas “mais um”.

Desta vez o que será publicado resulta de uma compilação de 14 mil artigos científicos. Trata-se da primeira parte da 6ª edição de um “relatório de avaliação” que o IPCC divulga a cada sete anos.

domingo, 27 de junho de 2021

Aquecimento global: agência americana NOAA registra novo recorde de CO2 atmosférico

Apesar da pandemia, emissões de gases de efeito estufa expressas em dióxido de carbono alcançaram nível máximo desde o início das medições

Catarina, primeiro ciclone observado no Atlântico Sul em 2004, é um fenômeno climático extremo. Imagem: NASA/Earth Observations Laboratory

A Agência Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) informou no último dia 7 que a concentração de CO2 na atmosfera atingiu no mês passado seu maior valor desde os primeiros registros, há 63 anos.

De acordo com dados do Observatório Vulcânico de Mauna Loa, no Havaí (EUA), a taxa média de CO2 atmosférico em maio de 2021 superou 419 ppm (partes por milhão).

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Clima: aquecimento global intensifica liberação de metano do fundo do mar no Hemisfério Sul, diz estudo

Cientistas constatam relação entre emissões de CH4 por dissociação de compostos em leitos oceânicos congelados e o aumento da temperatura atmosférica

Estrutura de um pedaço de hidrato de gás. IMAGEM: Wusel007 https://www.offshore-technology.com/features/featuremethane-hydrates-new-gas-boom/

Um trabalho pioneiro, coordenado pelo geólogo brasileiro Marcelo Ketzer, correlaciona o vazamento de grandes quantidades de metano -de áreas geladas em leitos oceânicos austrais- com o aquecimento climático.

Os resultados do estudo estão no artigo Gas hydrate dissociation linked to contemporary ocean warming in the southern hemisphere, publicado recentemente na Nature Communications, em parceria com pesquisadores brasileiros, franceses e suecos.

sábado, 7 de dezembro de 2019

COP 25: ‘neutralidade em carbono’ é meta da ONU para 2050

Organização reconhece insuficiência de ações em favor do clima e apresenta proposta para limitar aquecimento a 1,5 oC


A 25ª Conferência das Partes, inaugurada no último dia 2 em Madri, será capaz de impor aos países uma agenda dinâmica e ambiciosa de ações em prol do clima?

O balanço das ações preconizadas na Conferência da Partes de Paris em 2015 (COP 21) para conter as emissões de carbono é desalentador: quase todos os países signatários apresentam resultados aquém se suas metas.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Clima: CO2 absorvido pela floresta Amazônica já é equiparável ao emitido em decorrência de fogo e seca, aponta estudo

Dados de satélite indicam que queimadas e períodos de seca neutralizam captura de carbono nos biomas tropicais

Mapa do desmatamento da Amazônia no século XXI (INPE 2019)

“Amazônia pulmão do mundo”? Nunca foi. Mas era sim um gigantesco sumidouro de CO2, resultante da fotossíntese de sua cobertura verde. Tudo indica que não é mais...

Um estudo publicado recentemente na revista Nature Plants sugere que as florestas nativas situadas entre os trópicos do planeta capturam tanto quanto emitem carbono.